Na maioria dos casos, o olho seco não tem uma cura definitiva, mas tem controle. É uma condição crônica, e o objetivo do tratamento é aliviar os sintomas, proteger a superfície do olho e evitar que o quadro piore. Com o diagnóstico certo, que mostra a causa do olho seco, a maior parte das pessoas volta a ter conforto no dia a dia. Neste artigo, você entende o que causa o olho seco, como ele é avaliado e quais são as opções de tratamento.
O que é o olho seco?
O olho seco acontece quando a lágrima não protege bem a superfície do olho. Isso pode ocorrer por dois motivos: o olho produz pouca lágrima, ou produz uma lágrima de má qualidade, que evapora rápido demais.
A lágrima não é só água. Ela tem três camadas: uma de muco, que ajuda a lágrima a aderir ao olho; uma aquosa, que hidrata; e uma camada de gordura, que fica por cima e impede a evaporação. Quando qualquer uma dessas camadas falha, a superfície do olho fica exposta e irritada.
É uma das queixas mais comuns nos consultórios de oftalmologia. Ela é mais frequente com o passar dos anos e nas mulheres, especialmente depois da menopausa, mas tem aparecido cada vez mais cedo com o uso intenso de telas.
Quais são os sintomas do olho seco?
Os sintomas variam de pessoa para pessoa e costumam piorar ao longo do dia. Os mais comuns são:
- Ardor, queimação ou sensação de areia nos olhos
- Olhos vermelhos e cansados, principalmente à noite
- Visão que embaça e melhora quando você pisca
- Sensibilidade à luz
- Desconforto com vento, ar-condicionado ou ventilador
- Dificuldade para ficar muitas horas com lentes de contato
Um sintoma que confunde muita gente é o lacrimejamento. Parece contraditório, mas o olho seco pode fazer o olho lacrimejar demais. A superfície irritada estimula uma lágrima reflexa, aquosa, que escorre e não protege.
O que causa o olho seco?
Na maior parte dos casos, o problema está nas glândulas de Meibômio, pequenas glândulas na borda das pálpebras que produzem a camada de gordura da lágrima. Quando elas ficam obstruídas ou inflamadas, a lágrima evapora rápido. Esse é o chamado olho seco evaporativo, o tipo mais comum.
Outros fatores contribuem para o quadro:
- Uso de telas: quem fica muito tempo no celular ou no computador pisca menos, e a lágrima evapora mais
- Ambiente: ar-condicionado, vento e clima seco aceleram a evaporação
- Blefarite: inflamação crônica da borda das pálpebras, que costuma andar junto com a disfunção das glândulas
- Alterações hormonais: a menopausa é uma das causas mais frequentes em mulheres
- Remédios: alguns antialérgicos, antidepressivos e remédios para pressão reduzem a produção de lágrima
- Doenças autoimunes: como a síndrome de Sjögren e a artrite reumatoide
- Lentes de contato: o uso prolongado altera a forma como a lágrima se espalha pelo olho
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico começa na consulta. A oftalmologista pergunta sobre os sintomas, a rotina e os remédios em uso, e examina a superfície do olho, as pálpebras e a lágrima com a lâmpada de fenda. Em alguns casos, usa colírios corantes que mostram as áreas ressecadas da córnea.
Um exame que ajuda bastante é o Tear Check, que avalia sem contato a qualidade e a estabilidade da lágrima. Ele mostra o quanto a lágrima se mantém sobre o olho e ajuda a identificar se o problema é de produção ou de evaporação. Saber o tipo de olho seco é o que permite escolher o tratamento certo.
Quais são os tratamentos para o olho seco?
O tratamento é individual e costuma combinar mais de uma medida. As principais são:
- Mudanças de rotina: fazer pausas no uso de telas, lembrar de piscar, evitar o vento direto do ar-condicionado e manter a hidratação
- Higiene das pálpebras e compressas mornas: ajudam a desobstruir as glândulas de Meibômio
- Colírios lubrificantes: repõem a lágrima e aliviam os sintomas. O tipo e a frequência devem ser orientados pela médica
- Remédios prescritos: em alguns casos, colírios anti-inflamatórios ou outros tratamentos controlam a inflamação da superfície
- Luz intensa pulsada (IPL): aplicada na região das pálpebras, pode melhorar o funcionamento das glândulas de Meibômio no olho seco evaporativo
A luz intensa pulsada é feita em sessões, e a indicação depende da avaliação. Ela não é adequada para todos os casos, e costuma ser associada às outras medidas, e não usada sozinha.
Colírio lubrificante resolve?
O colírio lubrificante alivia, mas nem sempre trata a causa. Muitas pessoas usam colírio por conta própria durante anos, sentem alívio por algumas horas e voltam a ter os sintomas. Enquanto isso, a inflamação das pálpebras ou a disfunção das glândulas continua.
Além disso, alguns colírios vendidos sem receita contêm conservantes que, com o uso frequente, podem irritar ainda mais a superfície do olho. Por isso, vale fazer uma avaliação antes de adotar o colírio como solução permanente.
Olho seco atrapalha a cirurgia de catarata?
Pode atrapalhar, e por isso ele é avaliado antes do procedimento. Uma lágrima instável altera as medidas da córnea feitas nos exames de preparo, como a biometria e a topografia, e essas medidas são a base do cálculo da lente intraocular. Com a superfície do olho irregular, o cálculo pode ficar menos preciso.
Além disso, o olho seco sem controle costuma deixar o pós-operatório mais desconfortável. Quando ele é identificado na avaliação, o mais comum é tratar a superfície do olho primeiro e repetir os exames depois, para que o planejamento da cirurgia seja feito com os olhos em boas condições.
Onde tratar o olho seco em Francisco Beltrão?
No Conttemple Hospital de Olhos, em Francisco Beltrão, o cuidado do olho seco acontece no Spa dos Olhos, um espaço dedicado à saúde da superfície do olho. Ali são feitos a avaliação, o Tear Check e, quando indicada, a luz intensa pulsada, com acompanhamento ao longo do tratamento. O hospital recebe pacientes de todo o sudoeste do Paraná.
Quando procurar a oftalmologista?
Se o ardor, a vermelhidão ou a sensação de areia fazem parte da sua rotina, ou se você depende do colírio para passar o dia, vale procurar uma avaliação. O olho seco tem controle, e o tratamento certo depende de saber a causa, o que só o exame mostra.